Algumas palavras sobre The Walking Dead

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Como post de volta, depois de tanto tempo sem comentar nada, gostaria falando de uma das séries mais ”ame ou odeie” a popular The Walking Dead. Sem ser uma crítica das últimas temporadas em si ou um resumo, e sim fazer algumas observações sobre toda a trajetória do programa. E prometo deixar o texto sem grandes spoilers.

Afinal, o que tem The Walking Dead de tão especial? É longe de ser uma série cultuada pela crítica como Mad Men ou Breaking Bad. É conhecida por se arrastar em suas temporadas de duas partes, e muitos episódios em que não acontecem nada. E além da grande polêmica pelo terceiro episódio da sexta temporada, o qual não darei detalhes aqui como prometido. Mas, certas vezes The Walking Dead se supera, sendo imprevisível, criando momentos de horror ótimos, e criando episódios impecáveis para a série.

A verdade é que durante esses seis anos de seriado, pode-se dizer que a série sempre vai ser essa montanha-russa. Algo não tão horrível quanto os odiadores dizem, mas longe de ser algo de grife que vai acabar em premiações como Emmy ou Globo de Ouro. O que chega a ser uma coisa boa, já que em seis anos nos momentos de queda The Walking Dead sempre foi capaz de surpreender, e manter o espectador interessado. Afinal, não é um caso grave de perca de qualidade como aconteceu em Dexter ou outras séries.

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Um dos maiores problemas de The Walking Dead é o número de episódios, 16 são muitos para contar uma história sem a mesma se arrastar. E isso não vale só para TWD, já que outras séries têm ainda mais episódios por temporada. O modelo de 10-13 episódios por temporada continua sendo perfeito, permite contar uma história sem se arrastar ou apressar demais, abre espaço para desenvolver seus personagens, e ainda tentar em algum episódio algo diferente. The Walking Dead ainda tenta disfarçar isso um pouco com as divisões de temporada, na maioria das vezes dividindo seus arcos. O problema é que mesmo assim, a maioria das histórias não rendem oito episódios e acabam arrastando da mesma forma. Fora isso, dá para levar em conta que séries como Hannibal conseguiam dividir duas histórias por temporada, sem arrastar com apenas 13 episódios. Inclusive, com exceção da primeira temporada a melhor acabou sendo a quinta, onde a história progredia com arcos pequenos (um não tão bom, mas longe de ser longo para se considerar arrastado) e sem se estender a ponto de serem redundantes. Então sim, se TWD tivesse temporadas menores com cerca de 10 episódios a série seria bem melhor e menos massante.

Outra questão são os problemas de produção, afinal com seis temporadas TWD passou por três showrunners diferentes. Para começar tivemos Frank Darabont, aquele que trouxe o projeto para TV e acabou produzindo a melhor temporada no caso a primeira. Depois de problemas com a emissora, Darabont acabou sendo demitido durante a segunda temporada e substituído por Glenn Mazzara. Os detalhes dessa briga entre Darabont e a AMC são meio confusos e nunca tivemos a oportunidade de saber sua visão para o programa, afinal a primeira temporada mostrou muito pouco disso. Não tem como saber se os problemas da segunda temporada foram pelo próprio Darabont ou por essa confusão com a AMC. Quando Glenn Mazzara assumiu o comando da série tivemos episódios acelerados, com muitos zumbis e sem grandes enrolações. O problema é que enquanto a primeira metade da terceira temporada acabou sendo ótimo, a segunda já não tinha mais tanta história para contar. Então o ciclo da segunda temporada acabou se repetindo com exceção de alguns episódios, isso sem contar o fraquíssimo final de temporada. Por problemas com a emissora novamente e o criador dos quadrinhos Robert Kirkman, Mazzara acabou perdendo o posto de showrunner. Aí entra Scott M. Gimple, e as coisas mudam um pouco.

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Depois de três temporadas sem uma identidade em si, já que cada um dos showrunners tinham ideias diferentes, finalmente The Walking Dead encontrou seu ritmo. Levando em conta que nas temporadas os melhores episódios eram aqueles focados em poucos personagens, Gimple levou isso para outro nível. São vários episódios em que a maioria do elenco não aparece, isso incluindo Rick, o protagonista. Alguns episódios contam apenas com um membro do elenco principal, enquanto outros chegam a ter s dois ou três personagens. É uma medida arriscada, que justamente pelo formato acaba funcionando algumas vezes e outras não, isso gera a tal montanha-russa. A segunda metade da quarta temporada inclusive é totalmente assim, com o grupo fragmentado e cada episódio seguindo apenas um ou dois deles ao mesmo tempo. Isso mexe também na cronologia, com alguns episódios ocorrendo antes, depois ou simultaneamente com o outro. Mesmo as vezes falhando, afinal alguns episódios não progridem tanto na trama como outros, é algo que dá uma identidade e estrutura ao programa. Melhor que a guerra arrastada entre Rick e o Governador na terceira temporada. É necessários destacar também que, enquanto Mazzara se afastava dos quadrinhos, Gimples tenta se manter mais próximo, adaptando fielmente algumas histórias e edições, com apenas algumas alterações em questão dos personagens e eventos. Na maioria das vezes até expandindo tal história, o que novamente tem resultados mistos.

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Em seus momentos mais brilhantes, The Walking Dead mostra que com um roteiro mais consistente e menos episódios, poderia ser uma série de excelente qualidade. São geralmente episódios do formato de Gimple com poucos personagens, mas com algumas coisas em destaque. A verdade é que os diálogos em TWD não são os melhores escritos, e isso me lembra uma discussão ridícula sobre religião na segunda temporada, e um discurso horrível que ocorre durante a terceira. TWD se destaca na linguagem visual, em que as coisas acabam não sendo tão claras e sem um discurso para explicar tudo o que tá ocorrendo. Sim, alguns dos melhores episódios não possuem tanta ação ou matança de zumbis, afinal isso não salvou a terceira temporada dos problemas de ritmo.

E sim, TWD quando quer consegue ser imprevisível, seja de forma brutal com mortes e reviravoltas, ou sendo mais leve. Inclusive durante a quinta temporada, a proposta da série praticamente muda, tendo outro foco. Em alguns casos até fazendo episódios leves e cômicos, como foi o caso do décimo da sexta temporada, após a carnificina que foi o nono. São esses momentos que fazem TWD valer a pena, e quando está pensando em desistir de acompanhar, os roteiristas conseguem surpreender. É uma pena que não consigam encontrar um ritmo correto em uma temporada inteira.

Enfim, como explicado no começo, The Walking Dead é uma verdadeira montanha-russa em questão de qualidade. Quem for começar a assistir agora precisa entender isso caso queira continuar acompanhando.


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