[eSports]Como surge uma cena competitiva?

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29 de Agosto, 2015. Estou num play de um prédio na Zona Sul do Rio de Janeiro, junto com cerca de cinquenta ou sessenta pessoas. Cinco televisões ligadas, cada uma ligada em um WiiU. As pessoas pegam, aos poucos, controllers de Gamecube, Classic Controllers Pro e o combo Wii Remote + Nunchuck, e algumas outras, como eu, pegam seus 3DS para usá-los como controles. São pessoas diferentes, vindo de todos os cantos da cidade, e convergindo naquele ponto por um interesse em comum.

Estou no Koopacabana, um torneio local de Super Smash Bros. for Nintendo WiiU.

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Foi mal, essa foi a melhor foto que eu tirei. Obviamente fotografia não é a minha profissão.

Tudo é organizado pelos próprios jogadores – e os próprios organizadores participam – sem patrocínio, sem apoio, apenas com a nossa vontade de jogar o jogo competitivamente. Há preço de entrada e prêmios, mas os preços são baixos e os prêmios, relativamente humildes. A organização foi toda feita a partir de contato entre os jogadores interessados em organizar e os interessados em participar, mas o evento é surpreendentemente bem organizado. A competição conseguiu angariar 49 participantes no total.

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O nome “eSport” é dado para competições organizadas de videogames, de forma paralela a esportes reais. Jogos de estratégia em tempo real, luta, tiro em primeira pessoa, e, mais recentemente, os chamados MOBAs (Dota, League of Legends, Smite), são propícios a atrair comunidades de jogadores interessados em participar de lutas em alto nível, e grandes torneios são atualmente realizados, como reflexo deste interesse mútuo.

Embora seja polêmica ainda a discussão dos eSports como esportes reais ou apenas competições não relacionadas, é fato que a sua exposição tem crescido muito nos anos recentes, e até mesmo no Brasil já existem torneios de grande escala sendo realizados em verdadeiros estádios. E o nível de importância também aumentou; há jogadores que literalmente vivem dos eSports, e times são patrocinados por empresas como Red Bull e Monster Energy. Outros ainda vivem de dinheiro obtido por visualizações de streams em sites como Twitch e Youtube.

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Sim, eles estão assistindo pessoas jogando videogame, não um show da Madonna.

Para muitos, eSports são apenas uma forma de diversão; para outros, são um modo divertido de se ganhar a vida, análogo a esportes mais tradicionais. De qualquer forma, o interesse que os eSports geram merece ser notado.

Mas como é que isso foi acontecer, por acaso? Será que um jogo ganha esse tipo de importância assim, do nada?

Origens humildes

Em 1995, o espírito competitivo de vários jogadores de Street Fighter os levou a se reunir em um fliperama de Nova York para resolver suas diferenças, num evento que reuniu 40 pessoas. Obviamente, as diferenças não foram devidamente resolvidas, então o evento se tornou algo anual, se manifestando com o nome de Battle by the Bay.

O evento cresceu, mais jogadores foram entrando para a cada vez mais notória competição, e eventualmente encontraram uma casa fixa em Las Vegas. Em 2002, o evento ganhou um nome novo: Evolution Championship Series, mais conhecido por EVO. Atualmente, a EVO traz milhares de jogadores, para competir em uma diversidade de jogos de luta. Nascem lendas, ocorrem coisas incríveis, e uma verdadeira plateia (de talvez milhões se você contar usuários assistindo o torneio pelo Twitch) assiste os eventos se desenrolando. Uma coisa ainda não mudou, porém: o festival continua sendo organizado por jogadores, para os jogadores.

Outras comunidades competitivas têm histórias semelhantes. A Major League Gaming, provavelmente a organização de eSports mais conhecida no mundo, surgiu quando dois amantes de competição em games perceberam que havia muitas pessoas talentosas por aí, e decidiram uni-las em um campeonato organizado por eles mesmos. Atualmente, competições organizadas pela MLG são até mesmo transmitidas na televisão, e a liga é uma das responsáveis pela popularização recente dos eSports, com games como Starcraft II e League of Legends. Falando em League of Legends, pode-se dizer que a enorme expansão da cena competitiva do jogo ocorreu de forma menos embrionária que o esperado, pelo tom da matéria, porém é importante lembrar que organizações como a própria MLG, que surgiram desta forma, foram indispensáveis para o seu surgimento e crescimento.

De olho no futuro

Saí do Koopacabana com uma eliminação prematura, mas também conheci excelentes jogadores, joguei contra muita gente talentosa e assisti a lutas incríveis, e certamente todos os envolvidos saíram dali com experiências semelhantes.

Seja lá qual for a escala que atingirá a cena competitiva carioca de Super Smash Bros. for Nintendo WiiU, o pontapé inicial já foi dado. Jogadores se reuniram e já há planos de novas edições do torneio. Certamente, muitos de nós não estão interessados em levar a coisa realmente a sério, e apenas desempenham este esforço para poder jogar com outros entusiastas um jogo que lhes diverte muito; todavia, temos diversos precedentes similares que hoje são gigantescos. O nosso futuro é incerto, mas é sem dúvidas promissor.

E você, está disposto a competir?


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Sobre o Autor

Rafael Ferreira

Engenheiro, gamer, headbanger e assistidor de anime. Também é compositor e produtor como passatempo.