Retro Análise – Street Fighter II: The World Warrior

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Vou começar aqui uma nova série de postagens, baseada no conceito de pegar um jogo antigo (e por antigo, podemos ir até a época do Gamecube, mas por certas limitações irei me focar principalmente em jogos de antes do N64, e também do Game Boy Advance) e analisá-lo pela perspectiva atual. Podemos ver se um jogo envelheceu bem ou não. Tenha em mente que eu não tenho acesso aos consoles originais e, portanto, minha experiência pode não corresponder à que um jogador verdadeiramente teria com os consoles originais.

O jogo selecionado da vez é Street Fighter II: The World Warrior. Sem Super, sem Turbo, sem Arcade Edition. Street Fighter II: The World Warrior é o primeiro jogo da longa série, contando com apenas oito personagens jogáveis. Faz muito tempo que eu não jogo um Street Fighter direito (tive apenas uma breve experiência recente com Alpha 3, que muito me inspirou a voltar para II já que eu não tinha domínio nenhum sobre o jogo). Portanto, esta análise será realizada no ponto de vista de alguém que entende pouco e, portanto, é quase como se estivesse tendo seu primeiro contato com o jogo, e esta é uma condição mais que perfeita para o meu objetivo com este retorno ao passado.

A versão avaliada é a de Super Nintendo.

treco narra a treta do street fighter

Mecânica

Como muitos de vocês estão familiarizados, o jogo conta com três botões de soco e três botões de chute: Soco fraco, soco médio, soco forte, chute fraco, chute médio e chute forte. Como o nome implica, a força de cada um varia, e no chão, o atraso após desferir os golpes (ending lag) aumenta com a força, tornando importante a ponderação rápida entre usar golpes fracos e golpes fortes, já que estes deixam você mais vulnerável. De modo geral, chutes são mais fortes e têm mais alcance que seus equivalentes braçais, e têm geralmente menor potencial de combo. Esta foi a forma que a Capcom encontrou de dar uma variedade maior aos golpes, e variantes deste sistema se encontram em praticamente todos os jogos de luta até hoje.

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Muito importante no jogo é o pulo, ativado quando você pressiona o direcional, seta ou alavanca (dependendo da plataforma) para cima. As regras mudam bastante quando você está no ar; você só pode atacar uma vez até atingir o chão, e se você for atingido, você efetivamente perde o seu golpe até estar em solo novamente. Desta forma, a diferenciação entre os golpes teve que ser feita de modo diferente, já que um ending lag no ar não faria sentido. A solução encontrada pelos desenvolvedores foi mexer na duração do golpe; se no chão um golpe forte tem uma animação longa que te deixa vulnerável por mais tempo, no ar o oposto acontece, e golpes fortes têm duração curta, médios têm duração longa e fracos duram até que você encoste no chão. Assim, o jogador deve se preocupar com o tempo em que desfere o golpe e com a reação do oponente, para corretamente decidir que golpe irá usar.

O maior diferencial de Street Fighter II, muito embora já tenha sido utilizado no seu predecessor Street Fighter, é o uso de técnicas especiais ativadas com combinações de comandos. Baixo frente soco, baixo trás chute, meia-lua soco(Hadouken)… Acho que todos conhecem. De qualquer forma, o uso de especiais permite não apenas uma variedade quase sem limite para os golpes (e isto é aproveitado nas edições seguintes, que adicionam mais especiais com combinações não utilizadas antes), mas também torna uma sensação diferente jogar com cada personagem, sabendo que deve ter outros comandos na cabeça. Sua mente já é direcionada para tratar cada personagem de forma diferente.

São estes os elementos básicos, mas há uns outros importantes, como bloquear, agachar, agarrar e combos. Combos em particular são um elemento que pode mudar tudo; as animações de certos golpes são canceláveis em outros, permitindo cadeias de ataques

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Design de jogo

A primeira coisa que o jogador mais novo nota é que só há três opções: Single Player, VS e Opções. Um aspecto que fere o jogo em termos de sua idade é a ausência total de um modo de treino, que viria a surgir apenas com a série Alpha. O jogador tem que aprender o seu personagem na marra.

O modo single player consiste de lutas do personagem que você escolheu contra todo o restante do elenco selecionável, mais quatro outros controlados pelo CPU: Balrog, Vega, Sagat e M.Bison (cujos nomes são trocados na versão japonesa). A dificuldade das lutas vai aumentando progressivamente até a luta final que, para os padrões atuais, é de arrancar os cabelos mesmo em um nível de dificuldade baixa. Os demais editores do Recanto sabem o quanto eu sofri quando tentei vencê-lo com a Chun Li. É um jogo que, apesar de curtíssimo, exige bastante tempo do jogador para que possa ser dominado, e isso é algo que os jogos hoje em dia têm perdido um pouco.

Aspectos técnicos

Como é um jogo antigo,é obviamente relevante lembrar de todas as limitações gráficas e sonoras da época. Entretanto, jogos com uma direção de arte boa conseguem superar estes obstáculos e parecerem bonitos em qualquer geração. No caso de Street Fighter II, o gráfico é limpo e a arte, embora com estilo meio questionável na minha opinião, é consistente e tudo se encaixa. Visualmente, é um jogo agradável aos olhos, mesmo no Super Nintendo (enquanto a versão Arcade é tecnicamente mais bonita). O som faz o seu trabalho, durante a luta os efeitos sonoros auxiliam o entendimento do que está acontecendo (seu ataque foi bloqueado? O carro da fase bônus não está explodindo?), e a música é agradável, apesar de repetitiva às vezes. As vozes são meio cômicas (especialmente o gritinho do Vega, o que é aquilo?), mas não considero isso uma desvantagem na verdade.

Mecanicamente, o jogo é ultrapassado, mas a sua base é extremamente sólida e serve de modelo para a maioria dos jogos de luta até hoje, e continua executando bem seu propósito mesmo quase 25 anos depois.

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Veredito

O jogo continua divertido e envelheceu bem. Se fosse lançado hoje em dia, o jogo provavelmente sofreria pela falta de personagens e uma relativa falta de variedade para cada um. Felizmente (ou infelizmente, para os bolsos de muitos na época), o jogo recebeu inúmeros updates, e em Super Street Fighter II Turbo, conta com 17 personagens jogáveis e vários lutadores foram atualizados com novos especiais e algumas mudanças.


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Sobre o Autor

Rafael Ferreira

Engenheiro, gamer, headbanger e assistidor de anime. Também é compositor e produtor como passatempo.