[Análise] True Detective-Primeira Temporada

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O gênero policial com certeza está desgastado na televisão, seja pelo excesso de clichês na narrativa, sua estrutura já estagnada, além da clássica fórmula de ”caso da semana”. Talvez isso aconteceu por A Escuta ter colocado o gênero em um novo patamar, ou as ideias simplesmente ficaram repetitivas. Enfim, recentemente apareceram empreitadas novas no gênero, como Hannibal que consegue usar a fórmula de ”um caso por semana” e contar uma história fixa da temporada colocando terror psicológico e uma trama que se desenrola conforme os episódios. A outra é True Detective, uma antologia estilo American Horror Story, em que cada temporada conta uma história fechada, e ao menos nessa envolveu muita filosofia. Dizer que as outras temporadas vão seguir um modelo semelhante é atirar no escuro, pois o elenco a história e até diretor serão novos.

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Uma das maiores vantagens de True Detective é que na maior parte do tempo o seriado evita usar a fórmula comum dos programas policiais, e quando usa é para dar uma ”brincada” com esses elementos. De fato, o caso que investigam não é o foco da série, e sim a relação dos dois detetives Marty Hart e Rust Cohle, os protagonistas dessa temporada.

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A história começa em 1995 em que ambos investigam um assassinato brutal envolvendo rituais satânicos. Dezessete anos depois, outra dupla de detetives entrevista ambos para conseguir informações sobre um caso aparentemente ligado ao do passado. A informação no começo é miníma, só se sabe que Cohle e Hart em algum momento pararam de ser amigos. Esse modo de contar a história é interessante, pois ambos vão falando sobre o caso com pontos de vista diferentes, e acabam até mentindo algumas vezes.

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Como disse antes, o foco fica na relação entre os dois detetives, Hart e Cohle. O fascinante é que ambos funcionam como opostos um do outro, mas na verdade não são tão diferentes. Sim, isso pode parecer o arquétipo de ”detetive durão e o outro inteligente”, mas não é. Hart aparenta ser o mais equilibrado e homem de valores familiares, mas no fim isso não é bem assim. Cohle é o mais cético, inclusive crítica o existencialismo, possui problemas com drogas além de ter alucinações. Dentre os dois, Cohle é o que gera as partes mais interessantes, inclusive debates sobre bem e mal, mas isso só funciona por Hart também se envolver na história. Obviamente o buraco é mais embaixo, e o fascinante é descobrir por conta própria ao assistir.

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Obviamente a relação entre os dois não funcionaria tão bem se não fosse pelas atuações. Os dois atores principais, Woody Harrelson e Matthew McCoughaney estão talvez numa de suas melhores atuações até hoje. McCoughaney que ganhou um Óscar recentemente, pode ser forte candidato ao Emmy facilmente. O restante do elenco também é excepcional, seja personagens importantes como a esposa de Marty, ou papéis secundários que só aparecem em uma cena. O interessante é que a maioria desses personagens que aparecem em uma ou duas cenas, são importantes para a história no desenrolar da temporada.

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Na parte que envolve fotografia e direção, é difícil não se impressionar. Situada na área rural da Lousiana e dirigida por Cary Joji Fukunaga, essa primeira temporada de True Detective é uma das séries mais bonitas nesse aspecto. Quase sempre focada inclusive nos momentos de ação, sem deixar a câmera tremida ao ponto de você não conseguir entender o que está acontecendo, o diretor consegue captar toda a tensão. Os momentos sobrenaturais inclusive, possuem efeitos visuais incríveis para uma série de televisão, apesar de que são por poucos segundos essas cenas sempre acabam sendo impactantes. Aliás, tem uma cena em especial no quarto episódio, que faz qualquer um ficar de queixo caído.


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